Deriva das Palavras
sábado, janeiro 31, 2026
"A Trilogia de Copenhaga", Tove Ditlevsen
quinta-feira, janeiro 29, 2026
Nota de Rodapé 29/01/2026
O mundo a desabar entre o autoritarismo e a violência das guerras e da repressão e nós aqui entalados entre um odioso e ridículo Ventura e um autodenominado moderado e humanista pela mão de Seguro. Mesmo que a escolha entre um e outro seja clara na defesa do que ainda há de liberdade nas sociedades actuais, não deixa de ser singular a falta de debates em temas verdadeiramente importantes e que terão a ver com a nossa vida, como a recusa da guerra e do militarismo, a possibilidade cada vez mais necessária de decrescimento económico, a crise climática e o papel do capitalismo verde (a IL, de mansinho, veio colocar a agenda na substituição das energias renováveis pelo extractivismo, pelo carvão e pelo petróleo), a profunda crise do capitalismo liberal que pretende destruir o estado social e a pobre discussão em torno da Constituição já completamente empobrecida com sucessivas revisões. Mesmo o abandono do interior e a destruição de equipamentos sociais e comunitários no interior do país (na Europa é igual) e de que se gosta de proclamar soluções em períodos eleitorais, este discurso é inexistente. Por muito que custe a alguns sectores da sociedade (não tão pequenos como isso) o anticapitalismo é ultrapassado a grande velocidade pelo antifascismo, e aí se vê a importância política do Chega e dos espécimes que o compõem e que ainda não compreenderam o seu triste papel: construir uma união forçada em torno da ideia democrática pela anulação dos seus opostos.
sexta-feira, janeiro 23, 2026
Nota de rodapé 20/01/2026
É quase uma pequena nota no Público de hoje: "a revista científica Lancet [estima] que 14 milhões de mortes possam ocorrer até 2030 com o fim dos programas alimentares e de saúde da USAID". Não posso deixar de ligar isto a um facto descrito em "Terra Queimada", de Jonathan Crary, que citando o "Lugano Report", de 1999, dá conta das perspectivas neoliberais desenhadas pelos autocratas e conselheiros trumpistas que defendem a redução drástica da população mundial afirmando, sem qualquer pudor, que "não podemos defender o sistema liberal de mercado livre e, ao mesmo tempo, continuar a tolerar a presença de milhões e milhões de pessoas supérfluas e improdutivas".
alc
"A Parede", Marlen Haushofer
domingo, janeiro 18, 2026
"Além da Memória", Sebastian Barry
terça-feira, janeiro 13, 2026
"A Curva da Estrada", Ferreira de Castro
sexta-feira, janeiro 09, 2026
"Fronteira", Can Xue
sexta-feira, janeiro 02, 2026
"Artigo 353", Tanguy Viel
terça-feira, dezembro 30, 2025
"O Ofício", Serguei Dovlatov
quinta-feira, dezembro 25, 2025
"Ódio à Civilização Moderna", William Morris
segunda-feira, dezembro 22, 2025
2026
sábado, dezembro 20, 2025
"L' Adversaire", Emmanuel Carrère
domingo, dezembro 14, 2025
"O Náufrago", Thomas Bernhard
«Um Sonho», de August Strindberg
terça-feira, dezembro 09, 2025
"La Fôret de Flammes et d'Ombres", Akira Mizubayashi
segunda-feira, dezembro 08, 2025
"Um Saco de Ossos", Maria Lis
Maria Lis não deixa de nos surpreender com este seu terceiro livro de poesia. Revisitando Georgia O'Keeffe, leva-nos por extensas caminhadas em espaços improváveis no Novo México, no Texas ou ainda em Nova Iorque, deixando-nos uma quadrícula onde pontificam cores, pedras, águas, plantas. A cor está sempre presente dum modo quase obsessivo «...perguntas-me pela música vou respondendo por cores / as palavras não levam a melhor...» e a matéria e a forma de tudo o que nos rodeia, inertes ou vivas, atravessam os poemas «...por ora pinto flores / já que a realidade não precisa de ajuda / posso dedicar-me por inteiro à forma / é que a cor, o âmago, o cheiro / vêm com cada coisa de jeitos torcidos e grotescos...», deixando-nos embrenhados numa mundividência singular protagonizada por O'Keeffe e assenhoreada poeticamente por Maria Lis. Essa osmose, essa junção, é realizada por uma comunicação epistolar baseada provavelmente (soubemo-lo, mais tarde, pelo posfácio) pela correspondência com uma amiga e que a poeta adquiriu num alfarrabista de Santa Fé.
É um livro de poesia que não nos deixa indiferentes, tal como o seu posfácio: violentamente, Maria Lis atropela-nos com a nossa derrota muitas vezes não assumida, na impossibilidade de questionamento político, na eterna fénix capitalista que se ergue sempre vitorioso, retirando-nos a possibilidade de uma vida própria. Resta-nos a fuga ou a poesia dos sentidos. Como este livro.
alc.
sábado, dezembro 06, 2025
"Oráculo Portátil e Arte da Prudência", Baltazar Gracián
sábado, novembro 29, 2025
sexta-feira, novembro 28, 2025
«A Morte é um Acto Solitário», Ray Bradbury
«Umbria: por fim, o Sul.», António Alves Martins
segunda-feira, novembro 24, 2025
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"Spartakus, Simbologia da Revolta", Furio Jesi
"Jacob's Room", Virginia Woolf
domingo, novembro 16, 2025
«In girum imus nocte et consumimur igni», Guy Debord
sábado, novembro 15, 2025
«Peregrinação em Tinker Creek», Annie Dillard
segunda-feira, novembro 03, 2025
«A Vegetariana», Han Kang
quarta-feira, outubro 29, 2025
«Idade da Perda», Daniel Jonas
«O PREC e o Relógio das Revoluções», Aldo Casas e António Louçã





























